Quando plantas alimentícias não convencionais habitam quintais potencialidades para a Educação Ambiental

Conteúdo do artigo principal

Cristina Schittini
https://orcid.org/0000-0003-2642-7363
Angélica Cosenza
https://orcid.org/0000-0001-5412-5894

Resumo

Este artigo é um recorte analítico de uma pesquisa construída a partir da prática social da alimentação, e da contribuição da Educação Ambiental (EA) na construção da soberania alimentar e do Direito Humano à Alimentação Adequada a partir das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). O problema social concentra-se no modo como as cidades invisibilizam e destroem quintais e os saberes que com eles se constroem. Com o objetivo de discutir significados atribuídos aos quintais com PANC por aqueles que o praticam na cidade de Simão Pereira  (MG), este estudo assume que a EA tem papel importante na compreensão dos paradoxos da questão alimentar. A utilização de referenciais teóricos-metodológicos da Análise Crítica do Discurso permitiu identificar e compreender modos diversos de habitar o mundo a partir dos quintais. Os resultados apontam que esses lugares podem se configurar como lugares praticados de produção de conhecimentos e educabilidades que contribuem para uma EA transformadora.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Schittini, C., & Cosenza, A. (2025). Quando plantas alimentícias não convencionais habitam quintais: potencialidades para a Educação Ambiental. Revista De Ensino De Biologia Da SBEnBio, 18(2), 679–700. https://doi.org/10.46667/renbio.v18i2.1814
Seção
Artigos com Relatos de Pesquisa
Biografia do Autor

Cristina Schittini, Universidade Federal de Juiz de Fora

Mulher, mãe e inquieta. Estive em lugares outros, hoje estou enquanto agricultora agroecológica, microempreendedora, educadora ambiental e alimentar em espaços diversos. Em meu percurso da pesquisa, persigo a questão alimentar e as interseccionalidades das injustiças ambientais. A minha experiência de vida, através do meu quintal com PANC (plantas alimentícias não convencionais) me possibilitou um giro em busca de modos outros de habitar o mundo que afronte a crise civilizatória no qual estamos imersas. Minha pesquisa é cotidiana e em eterno movimento. A Educação que me inspira, me apoio e defendo é a Educação Ambiental crítica em diálogo com a Ecologia Política. O meu propósito é, não mais resistir às injustiças, e sim, encontrar meios de existir, ser, estar e viver de forma digna. Para tanto, me nutro dos quintais com PANC, enquanto um território fértil para se pensar uma educação libertadora e emancipadora. Minha Graduação é em Gastronomia, pelo CES/JF, seguido por um MBA no Senac Grogotó em Gestão Gastronômica e Hoteleira. Sou mestra pelo Programa de Pós Graduação em Educação, pela UFJF/MG e doutoranda pelo mesmo programa.

Angélica Cosenza, Universidade Federal de Juiz de Fora

Sou professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Possuo graduação em Ciências Biológicas (1998) e Mestrado em Educação (2004) pela UFJF. Sou doutora em Educação em Ciências e Saúde (2014) pelo Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde da UFRJ, tendo cumprido também parte de minha formação doutoral (2013) na Universidade Autônoma de Barcelona/Espanha (UAB). Atuo como professora e pesquisadora no Grupo de Pesquisa "Núcleo de Educação em Ciência, Matemática e Tecnologia" (NEC/UFJF), e sou líder no CNPQ do GEA/UFJF- Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Ambiental. Também atuo como docente no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFJF (mestrado e doutorado acadêmicos) desde 2016. Na gestão acadêmica, atuo como Diretora da Faculdade de Educação (2022-2026). Atuei como Assessora das Licenciaturas, ligada à Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD/UFJF) e Coordenadora Institucional do PIBID UFJF de 2016 a 2022. Assumo como interesses de investigação : articulações entre educação ambiental, ecologia política e justiça ambiental; práticas docentes em educação ambiental; formação de professores e educadores ambientais e fenômenos discursivos ambientais de impacto à educação ambiental.

Referências

AGRODADOS; PLANETA ARROZ. Tipos de arroz mais consumidos no Brasil. Disponível em: htpp://planetaarroz.com.br/guia-agrodados-planeta-arroz-tipos-de-arroz-no-brasil/ . Acesso em: 31 maio 2023.

ALMADA, Emmanuel D.; SOUZA, Mariana O. (org.). Quintais: memória, resistência e patrimônio biocultural. Belo Horizonte: UEMG, 2017.

ALMADA, Emmanuel D.; VENÂNCIO, Bruno. Pode a natureza falar? perspectivas para uma educação ambiental multiespécies. Revista Interdisciplinar SULEAR, ano 04, número 9 – abr. 2021.

BOMBARDI, Larissa M. Agrotóxicos e colonialismo químico. São Paulo: Elefante, 2023.

CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

COSENZA, Angélica. Agroecologia Escolar: semeando ecologia política e educação ambiental. In: SALDI, Leticia; SALGADO, Stephanie D., C.; ESCHENHAGEN, Maria, L.; COSENTINO, pablo (orgs). Boletin Senti-pensarmos Tierra Educacion ambiental y ecologia politica em clave latinoamericana y del Caribe. Segunda Parte. 11ed. Buenos Aires: CLASCO, 2022, v. 3, p. 65-74.

FERDINAND, Malcom. Uma Ecologia decolonial: pensar a partir do mundo caribenho. São Paulo: Ubu, 2022.

FILARDI, Marcos. Un sistema que produce hambre. In: LIZARRAGA, Patrícia; FILHO, Jorge P. (orgs). Atlas de los Sistemas Alimentarios del Cono Sur. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Fundación Rosa Luxemburgo, 2022.

KINUPP, Valdely F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

LAYRARGUES, Philippe P. Manifesto por uma educação indisciplinada. Revista Ensino, Saúde e Ambiente, Número Especial ESA 2020. Disponível em: https://periodicos.uff.br/ensinosaudeambiente/article/view/40204 . Acesso em: 4 dez. 2020.

LAYRARGUES, Philippe. Horta Escolar: o plantio da Educação Ambiental Crítica e a colheita de um alimento agropolítico. In: COSENZA, Angélica; SILVA, Camila N.; REIS, Emanuelle dos. (orgs.). Agroecologia escolar: quando professores/as e agricultores/as se encontram. Rio das Ostra, RJ: Nupem/UFRJ, 2021.

LEFF, Enrique. Ecologia Política: da descontrução do capital à territorialização da vida. Campinas: Unicamp, 2021.

LOUREIRO, Carlos, F. B. Educação Ambiental: questões de vida. São Paulo: Cortez, 2019.

LOUREIRO, Carlos F.B. Educação Ambiental crítica e lutas antisssistêmicas In: SALDI, Leticia [et al.]; MILANEZ , Felipe; TRUJILLU , Mina L. N.; ROCA-SERVAT (coord.), Denise. Senti-penasarmos Tierra: educación ambiental y Ecologia política em clave latinoamericana y del Cribe. n. 10, p. 46-52, 1 ed. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2022.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo decolonial. Estudos Feministas, 22(3): 320, set.-dez., Florianópolis, 2014, p. 935-952.

MACHADO, Luiz C. P.; MACHADO FILHO, Luiz C.P. A dialética da Agroecologia: contribuições para um mundo com alimentos sem veneno. São Paulo: Expressão Popular, 2017.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões básicas. In: BERNARDINO-COSTA, Joaza; MALDONADO-TORRS, Nelson; GROSFOGUEL, Ramón (orgs.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspótico. Belo Horizonte, 2018.

MENEZES, Anne K.; COSENZA, Angélica. Os lugares da Ecologia Política na Educação Ambiental: Análise de um Grupo de Discussão de Pesquisa. Pesquisa em Educação Ambiental, v. 20, n. 1, 2005. DOI: http://dx.doi.org/10.18675/2177-580X.2025-18824

QUIÑONEZ, Santiago Arboleda. Defensa ambiental, derechos humanos y ecogenoetnocidio afrocolombiano. Pesquisa em Educação Ambiental, vol.13, n.1 – pg 10-27, 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.18675/2177-580X.vol13.n1.p10-27 Acesso em: 01 dez.2022

RAMALHO, Viviane; RESENDE, Viviane de M. Análise de discurso (para a) a crítica: o texto como material de pesquisa. Campinas: Pontes Editores, 2011.

RANIERE, Guilherme. Levantamento Etnobotânico das Plantas Alimentícias nos municípios de Areias e São José do Barreiro – SP: um patrimônio nos quintais urbanos. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) - Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2018.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: MV Serviços e Editora, 2019

RUFINO, Luiz. Vence-demanda: educação e descolonização. Rio de Janeiro: Mórula: 2021.

RUFINO, Luiz. Ponta-cabeça: educação, jogo de corpo e outras mandingas. Rio de Janeiro: Mórula, 2023.

SCHITTINI, Cristina de Menezes; COSENZA, Angélica. Quintais com PANC: espaços produtores de educabilidade?. Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), [S. l.], v. 18, n. 4, p. 242–259, 2023. DOI: 10.34024/revbea.2023.v18.14537. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/revbea/article/view/14537. Acesso em: 18 fev. 2025.

SILIPRANDI, Emma. Mulheres e Agroecologia: transformando o campo, as florestas e as pessoas. Rio de janeiro: Editora UFRJ, 2015.

THE LANCET. Sindemia Global da Obesidade, Desnutrição e Mudanças Climáticas: relatório da Comissão The Lancet. Jan, 2019. Disponível em: https://alimentandopoliticas.org.br/wp-content/uploads/2019/08/idec-the_lancet-sumario_executivo-baixa.pdf . Acesso em: 22 de set. 2021.

van DOOREN, Thom; KIRKSEY, Eben; MÜNSTER, Ursula. Estudos multiespécies: cultivando artes de atentividade. Trad. Susana Oliveira Dias. ClimaCom [online], Campinas, Incertezas, ano. 3, n. 7, pp.39-66, Dez. 2016. Available from: https://climacom.mudancasclimaticas.net.br/wp-content/uploads/2014/12/07-Incertezas-nov-2016.pdf

WALSH, Catherine. Interculturalidad y (de)colonialidad: perspectivas críticas y políticas. In: Revista Visão Global, Joaçaba, v. 15, n. ½, p. 61-74, 2012. Disponível em: https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/visaoglobal/article/view/3412. Acesso em: 21 jun. 2021.

WILKINSON, John. O sistema agroalimentar global e brasileiro face às novas dinâmicas geopolíticas e de demanda. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2022.