CURRÍCULOS QUE ENROJECEN PERFORMANCES CARTOGRÁFICAS Y CONFLUENCIAS CON EL ACEROLO EN LA ENSEÑANZA DE LA BIOLOGÍA EN TIEMPOS DEL ANTROPOCENO

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Lara de Souza Bessa
Franklin Kaic Dutra-Pereira

Resumen

Este trabalho propõe um rompimento com os modelos hegemônicos e tecnicistas do ensino de Biologia, por meio de uma experiência sensível, poética e situada envolvendo uma aceroleira presente no quintal. A cartografia é aqui mobilizada como metodologia e as fabulações como práticas de envolvimento, produzindo um percurso rizomático que entrelaça botânica, arte, currículo e território. Assim, o texto insere-se no campo do Ensino de Biologia, especialmente nas discussões sobre educação ambiental, Antropoceno, Estudos Culturais e formação docente, propondo práticas curriculares sensíveis que reconhecem o território e a vida como potências pedagógicas. Através de quatro fotoperformances: ofertar, figurar, oracular e nutrir; a acerola aparece não apenas como objeto de estudo botânico e fonte de vitamina C, mas como mestra, oráculo e símbolo de abundância, estética e potência pedagógica. Enraíza-se, assim, uma epistemologia que reconhece corpo, chão e sensopercepção como espaços legítimos de aprendizagem. A valorização da flora local, aliada à expressividade artística e à força fabulatória, abre possibilidades para um ensino de Biologia criativo, afetivo e conectado às realidades vividas. Ensinar se torna ato de partilha e de cuidado, em confluência com o que a terra dá e com o que a terra quer, em sintonia com as forças vitais que resistem à fantasmagorização da vida e em diálogo com as urgências de adiar o fim do mundo e de ficar com o problema. Assim, o currículo rubrescente – fabulado com a aceroleira – se afirma como prática de reencantamento e insurgência que, em meio às ruínas do Antropoceno, insiste em cultivar mundos possíveis: começo, meio, começo.

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Cómo citar
Bessa, L. de S., & Dutra-Pereira, F. K. (2025). CURRÍCULOS QUE ENROJECEN: PERFORMANCES CARTOGRÁFICAS Y CONFLUENCIAS CON EL ACEROLO EN LA ENSEÑANZA DE LA BIOLOGÍA EN TIEMPOS DEL ANTROPOCENO. Revista De Enseñanza De Biología SBEnBio, 18(nesp.1), 498–516. https://doi.org/10.46667/renbio.v18inesp.1.2118
Sección
Dossiê Temático: Ensino de Biologia diante do Antropoceno: fabulando respostas, experimentando caminhos
Biografía del autor/a

Lara de Souza Bessa, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Licenciada em Ciências Biológicas (UNIJORGE), encontrei na vida, na natureza e nos corpos em movimento os primeiros campos de pesquisa e encantamento. Especialista em Educação Científica e Cidadania (IF Baiano) e em Educação, Contemporaneidade e Novas Tecnologias (UNIVASF), sigo tecendo caminhos que unem ciência, arte e educação. Atualmente sou mestranda em Educação Científica, Inclusão e Diversidade (UFRB), onde cultivo diálogos entre território, pertencimento e saberes plurais. No Bacharelado em Gênero e Diversidade (UFBA) e na Especialização em Gênero e Sexualidade na Educação (UFBA), mergulho nos estudos críticos sobre corpos, identidades e modos de existir.Atuo como professora de Biologia na Rede Estadual de Educação da Bahia, onde busco aproximar ciência, arte e diversidade no cotidiano escolar, transformando a sala de aula em espaço de diálogo, experimentação e pertencimento. Minha formação e prática se entrelaçam como fios de uma mesma trama: biologia, arte e diversidade, sempre em busca de novas formas de narrar, ensinar e aprender.

Franklin Kaic Dutra-Pereira, Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Doutor, mas antes e depois disso, um corpo que pesquisa com outros corpos – na química, na educação, na vida. Formado em Química (CES/UFCG, 2014) e Pedagogia (UNICSul, 2022), defendeu a tese em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECM/UFRN, 2019), mergulhando nas narrativas de quem aprendeensinaaprende nas licenciaturas. Professor da UFPB, no Departamento de Química do CCEN, (des)ensina e aprende onde a ciência incomoda o patriarcado e desvia da norma. Atua nos PPGs em Educação da UFPB, no PROFQUI/UFPB e no PPGECID/UFRB, orientando por entre desejos e dissidências. Lidera o COM-FABULAÇÕES: ateliê de pesquisas inventivas em educação. Integra o GEPPC/UFPB e o TRAMAS/UFPB. É membro da SBEnQ, ANPEd, ABRAPEC e RELAPEq. Suas pesquisas atravessam os estudos culturais da educação, escritas de si, teorias queer e cartografias que criam frestas no currículo. Milita com orgulho LGBTTQIAPNb+, contra os sistemas que sufocam a vida – o fascismo, o moralismo, o racismo, o bolsonarismo. Aposta em uma ciência que acolhe, em escolas que cuidam, em universidades que resistem. Escreve para adiar o fim do mundo. Está aqui para incomodar – com-fabulando futuros outros, com quem também se recusa a caber.

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